
Reunião ocorreu no espaço do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, na COP 30
Belém (PA), 17/11/2025 - Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, a WCS Brasil e o Governo do Estado de Rondônia avançaram em uma parceria estratégica para ampliar ações de conservação ambiental e fortalecimento das políticas voltadas aos povos indígenas no estado.
Em reunião que reuniu a WCS Brasil, a Superintendência Estadual dos Povos Indígenas (SEPI) e a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), foram alinhadas prioridades que irão compor um protocolo de intenções a ser oficialmente assinado nas próximas semanas. As agendas incluem gestão territorial e ambiental em terras indígenas, etnoturismo, restauração de nascentes e a proteção das áreas de reprodução da tartaruga-da-amazônia no rio Guaporé.
Para Gasodá Wawaeitxapoh Suruí, superintendente Estadual dos Povos Indígenas e liderança do povo Paiter Suruí, a construção conjunta representa um passo importante para fortalecer políticas públicas no estado.
“Conversamos bastante sobre a possibilidade de formar uma parceria para trabalhar em conjunto em prol dos povos indígenas de Rondônia. Para levar política pública de qualidade, precisamos de apoio. Esse diálogo com a WCS é muito importante e tem tudo para resultar em um bom trabalho para nossa população indígena.”
O secretário de Desenvolvimento Ambiental, Marco dos Lagos, destacou que a iniciativa permitirá ampliar projetos estruturantes já em andamento.
“Firmamos uma parceria maravilhosa entre o estado de Rondônia e a WCS Brasil. Por meio dela, vamos alavancar projetos como o de proteção dos quelônios da Amazônia e o Projeto Recuperar, que atua na recuperação de nascentes e áreas de preservação permanente. Com o apoio da WCS, queremos expandir essas ações para os 52 municípios do estado.”
A WCS Brasil reforçou o compromisso de atuar em sinergia com as prioridades definidas pelas instituições estaduais e pelas lideranças indígenas. Segundo Ana Luiza Melgaço, coordenadora para Povos e Territórios Indígenas da organização, a parceria abre caminho para ações de gestão territorial e fortalecimento das organizações indígenas.
“Nossa conversa foi essencial para compreender as prioridades dos povos indígenas de Rondônia. Buscamos apoiar desde a elaboração e implementação dos PGTA até iniciativas de turismo e fortalecimento institucional. Temos uma oportunidade muito boa de construir conjuntamente os próximos passos.”
O diretor da WCS Brasil, Marcos Amend, ressaltou que a agenda é fruto de um ano de diálogo iniciado ainda na New York Climate Week, em 2024.
“Agora entramos na etapa final para a assinatura do protocolo de intenções. A partir dele, avançaremos na elaboração dos planos de trabalho, começando imediatamente onde já houver recursos. Também vamos buscar, junto ao Governo de Rondônia, novas fontes de financiamento para implementar as ações acordadas.”
Entre as frentes prioritárias da parceria estão:
- criação e fortalecimento de áreas protegidas;
- proteção das áreas de reprodução da tartaruga-da-amazônia no rio Guaporé;
- restauração de nascentes em diferentes municípios;
- apoio à gestão territorial e ambiental em terras indígenas, com foco na implementação dos PGTA;
- incentivo ao etnoturismo e ao fortalecimento das organizações indígenas locais.
A WCS Brasil reafirma seu compromisso de atuar de forma colaborativa, integrada e alinhada às prioridades definidas por Rondônia, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para o bem-viver das comunidades indígenas e tradicionais da Amazônia.
Proteção das tartarugas do Guaporé
A WCS Brasil já atua na região do rio Guaporé, onde está uma das maiores populações de tartaruga-da-amazônia. A organização desenvolve pesquisas, monitoramento de praias de desova e ações participativas com comunidades locais para reduzir a caça, a coleta de ovos e o comércio ilegal.
Com apoio de parceiros, o trabalho combina ciência, vigilância comunitária e fortalecimento de acordos locais, ampliando a proteção dos habitats e das fêmeas reprodutoras. A iniciativa se tornou referência e continua a avançar para garantir a recuperação de quelônios em toda a bacia.