Ilustradora botânica Dulce Nascimento doa 12 reproduções de aquarelas de sua autoria ao Parque Nacional do Jaú; mostra percorrerá Novo Airão/AM e Manaus/AM antes de integrar definitivamente o acervo da unidade de conservação

Artista Dulce Nascimento, ao lado de Pauletiane Horta, da equipe WCS Brasil. Foto: Divulgação.
O Parque Nacional do Jaú ganhou, nesta terça-feira (30), um novo patrimônio artístico e científico. Em cerimônia realizada na base flutuante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na foz do rio Jaú (AM), a ilustradora botânica Dulce Nascimento oficializou a doação de 12 reproduções das aquarelas originais ao Parque e inaugurou a exposição "Amazônia Revelada: 50 Expedições de Ilustração Botânica", que celebra sua 50ª expedição de ilustração botânica na região do Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro.
A abertura da exposição reuniu autoridades, representantes de instituições parceiras e convidados, marcando um momento de celebração da arte, da ciência e da conservação da biodiversidade amazônica.
A mostra foi organizada pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Novo Airão, do ICMBio, em parceria com a Coordenação Territorial de Manaus e a ilustradora naturalista e designer Lílian Ximenes, com apoio da WCS Brasil, em homenagem aos 28 anos de expedições de ilustração botânica realizadas pela artista na Amazônia. Dulce chegou ao Parque Nacional do Jaú, ontem (30), por volta das 9h, acompanhada dos alunos que participam da expedição, após navegar pelo rio Negro em uma embarcação que se transforma em ateliê, sala de aula e espaço de imersão na natureza.
O acervo doado representa parte da trajetória construída por Dulce Nascimento ao longo de quase três décadas dedicadas ao ensino e à prática da ilustração botânica, linguagem que alia rigor científico e sensibilidade artística para registrar espécies vegetais e contribuir para a pesquisa, a conservação da biodiversidade e a difusão do conhecimento. "Retornar à região do Mosaico do Baixo Rio Negro pela 50ª vez e deixar parte desse trabalho como patrimônio do Parque Nacional do Jaú é uma forma de agradecer à floresta por tudo o que ela me ensinou ao longo desses 28 anos de expedições. Espero que essas ilustrações botânicas despertem nas pessoas o mesmo encantamento que sinto pela Amazônia e inspirem novas gerações a conhecer, valorizar e proteger sua extraordinária biodiversidade", afirmou Dulce Nascimento.
Desde 1998, a artista conduz expedições pelo rio Negro reunindo ilustradores iniciantes e profissionais de diferentes países. Durante as viagens, os participantes vivenciam uma experiência de observação direta da floresta, aprendendo a representar a flora amazônica por meio da aquarela em um processo que aproxima arte, ciência e conservação.
A presença da mostra no Parque Nacional do Jaú reforça a importância das unidades de conservação como espaços de produção e compartilhamento de conhecimento, além de evidenciar o potencial da arte como ferramenta de sensibilização para a conservação da Amazônia.

Participantes e visitantes da exposição, realizada no Parque Nacional do Jaú. Foto: Divulgação.
Para o chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Novo Airão, Hueliton Ferreira, a exposição amplia a forma como a sociedade se relaciona com as unidades de conservação e complementa o trabalho desenvolvido pelo ICMBio."Receber esta exposição no Parque Nacional do Jaú é motivo de grande satisfação. Além de representar um importante registro científico da flora amazônica, a ilustração botânica aproxima a sociedade da biodiversidade e fortalece a conservação por meio da arte e do conhecimento. Para nós, gestores do Parque, iniciativas como essa ampliam o olhar sobre a conservação, trazendo diálogo com a ciência, a cultura e diferentes formas de compreender a natureza. Elas complementam o trabalho cotidiano do ICMBio, que envolve a proteção territorial, a manutenção das bases de fiscalização, o apoio às comunidades, o fortalecimento da governança e a gestão desta unidade de conservação. São momentos que nos lembram que conservar também é inspirar, sensibilizar e criar conexões entre as pessoas e a floresta", garantiu Hueliton Ferreira.
A WCS Brasil apoiou a realização da exposição como parte de seu compromisso com iniciativas que fortalecem a conservação da biodiversidade por meio da ciência, da cultura e da educação ambiental.
Para Marcos Amend, diretor executivo da WCS Brasil, iniciativas como essa demonstram que a conservação também se fortalece por meio do conhecimento e da sensibilização da sociedade. "Conservar a Amazônia também significa criar oportunidades para que as pessoas conheçam, se encantem e compreendam a extraordinária riqueza de sua biodiversidade. A ilustração botânica de Dulce Nascimento traduz esse patrimônio em uma linguagem acessível e sensível, aproximando ciência e sociedade. Para a WCS Brasil, apoiar essa iniciativa é fortalecer uma agenda em que conhecimento, cultura e conservação caminham juntos", destacou Marcos Amend.
As expedições contam com a parceria do biólogo Gilberto Castro, profundo conhecedor da biodiversidade amazônica, cuja atuação é fundamental para a condução das atividades de campo e para o enriquecimento da experiência dos participantes.
Reconhecida nacional e internacionalmente, Dulce Nascimento possui mais de 30 anos de atuação na ilustração botânica. Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em Ilustração Científica pelo Royal Botanic Gardens, Kew, em Londres, é autora do livro Plantas Brasileiras – A Ilustração Botânica de Dulce Nascimento e formou mais de mil alunos brasileiros e estrangeiros em cursos, oficinas e expedições botânicas realizadas em diferentes regiões do país. Além das expedições desenvolvidas na região do Parque Nacional do Jaú, a artista também realiza atividades no Parque Nacional da Serra do Cipó (MG), duas unidades de conservação que marcaram sua trajetória e inspiram seu trabalho de aproximação entre arte, ciência e natureza.
Após a abertura no Parque Nacional do Jaú, a exposição permanecerá alguns dias em cartaz no flutuante do ICMBio. Em seguida, seguirá para a Associação dos Artesãos de Novo Airão (AANA), onde poderá ser visitada pelo público local. Na sequência, Amazônia Revelada: 50 Expedições de Ilustração Botânica percorrerá diferentes espaços culturais de Manaus, ampliando o acesso do público à riqueza da flora amazônica retratada pela artista. Encerrada a circulação, as 12 reproduções de aquarelas retornarão ao Parque Nacional do Jaú, onde passarão a integrar permanentemente o acervo da unidade de conservação, constituindo um legado artístico, científico e cultural para as futuras gerações.