
Participantes da atividade .(Foto: Divulgação)
Fortalecer as capacidades das comunidades locais para condução de visitantes de forma responsável, segura e alinhada à conservação, foi o principal objetivo do treinamento em boas práticas na condução de visitantes realizado na comunidade Cachoeira, no Parque Nacional do Jaú (AM), de 17 a 20 de abril de 2026. A atividade reuniu representantes de diferentes comunidades da calha do rio Jaú e foi promovida pela WCS Brasil, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Mamirauá.
Foram quatro dias de troca de experiências, escuta ativa e atividades práticas voltadas ao fortalecimento da condução comunitária. A oficina abordou temas como segurança, hospitalidade, interpretação ambiental e organização das atividades turísticas, sempre com foco na valorização dos saberes locais e na conservação da sociobiodiversidade.
Para os participantes, o treinamento trouxe aprendizados concretos e aplicáveis ao cotidiano das comunidades. Francione Araújo, da comunidade do Tambor, destacou a relevância dos conteúdos: “A experiência que eu tive foi maravilhosa. A gente aprendeu coisa muito importante para trabalhar com o turismo, como cuidar do turista, como explicar coisas da natureza, como alertar sobre os perigos nos passeios. São ideias que vamos levar pra nossa comunidade e pra vida também”.
Na mesma linha, Francisca Viana, da comunidade Cachoeira, ressaltou tanto o aprendizado quanto a troca entre os participantes: “O treinamento foi maravilhoso, aprendi coisas novas que eu não sabia e pude dividir o que sei com meus colegas. Uma coisa boa foi sobre o comportamento na canoagem e ideias novas, como a focagem para ver animais à noite. Também aprendemos cuidados para não causar impacto. Eu não tinha parado pra pensar que jogar luz em um animal diurno incomoda. A ideia de trabalho em rodízio também foi muito boa, ajudou todo mundo a se conectar e trabalhar junto”.

Treinamento também proporcionou atividades praticagem, como canoagem e focagem de animais noturnos. (Foto: Divulgação)
Para Edneu Gonçalvez, também da comunidade Cachoeira, a realização do curso dentro do território teve um significado especial: “Agradeço muito por terem trazido esse curso aqui pra gente. Eu não esperava que um dia teríamos um treinamento assim. Foi bom tanto para quem já trabalha com turismo quanto para quem quer começar”.
Além do fortalecimento técnico, o encontro também promoveu integração entre as comunidades e reflexões sobre o papel do turismo no território. Segundo Rodrigo Ozorio, consultor da WCS Brasil, o processo evidenciou o potencial coletivo da região: “Num contexto como o de uma Unidade de Conservação com populações tradicionais, o condutor é anfitrião, guardião e alguém que traduz para o visitante a riqueza do território. Foi muito bacana ver o interesse e a troca de conhecimentos, além do avanço no diálogo entre as comunidades, que começam a enxergar a calha do Jaú como um destino integrado no futuro”.
Pedro Nassar, do Instituto Mamirauá, destacou a importância dos treinamentos contínuos e do intercâmbio de experiências: “Os treinamentos são essenciais tanto para quem está começando quanto para quem já tem experiência. Trazer referências de outras iniciativas, como Mamirauá, pode contribuir na organização das atividades, na criação de roteiros e na distribuição de benefícios”.
Já Lucas Ferrari, do ICMBio, responsável pelo uso público no Parque Nacional do Jaú, reforçou o protagonismo comunitário: “O treinamento proporcionou um importante momento de integração e aprendizado, valorizando as experiências dos participantes. Também estimulou os comunitários a se reconhecerem como protagonistas na construção do turismo de base comunitária”.
O Parque Nacional do Jaú reúne oportunidades únicas para o desenvolvimento do turismo, em um contexto onde o envolvimento das comunidades residentes é estratégico para a geração de renda e para o uso responsável do território. Nesse cenário, a iniciativa busca fortalecer o protagonismo comunitário por meio de diálogos, levantamento de potencialidades e construção participativa de propostas.
Como próximos passos, o projeto prevê o refinamento dos roteiros de turismo de base comunitária junto às comunidades, além de discussões sobre modelos de gestão e governança adaptados à realidade local. A proposta é apoiar, de forma gradual, a construção de um portfólio de experiências no Parque Nacional do Jaú, alinhado às capacidades locais, à sazonalidade e aos objetivos de conservação.
A iniciativa reforça que o fortalecimento das comunidades e das parcerias é essencial para consolidar um turismo comprometido com a conservação e com a valorização das pessoas que vivem no território.
A WCS Brasil agradece às comunidades participantes e aos parceiros Instituto Mamirauá e ICMBio, cuja colaboração foi fundamental para os resultados do treinamento. Em junho de 2026, um novo encontro está previsto para discutir e validar, de forma participativa, os roteiros desenvolvidos.