
Guarda-parques de seis países da Amazônia participam do Encontro Regional em Lima, no Peru. (Foto: @WCS)
Lima, Peru | fevereiro de 2026
Mais de 30 guardas-parques da Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Peru e Suriname reuniram-se em Lima para concluir a fase final de capacitação e avaliação do projeto regional Guardas-Parques do ASL. O encontro permitiu revisar os aprendizados acumulados ao longo do processo formativo e traduzi-los em ações práticas aplicáveis no campo, em contextos marcados pela pressão sobre áreas protegidas, economias ilegais e riscos crescentes associados às mudanças climáticas.
Durante quatro dias de atividades presenciais, os participantes analisaram casos reais, simularam cenários operacionais e compartilharam experiências sobre gestão de conflitos, comunicação em situações de tensão e coordenação entre equipes. Para muitos, foi a primeira oportunidade de dialogar diretamente com colegas de outros países amazônicos que enfrentam dinâmicas semelhantes, criando vínculos que ultrapassam fronteiras administrativas.
Mais do que um evento pontual, o encontro contribuiu para consolidar uma articulação regional entre guardas-parques que atuam sob condições exigentes e, em muitos casos, de alto risco. A experiência reforçou que a proteção da Amazônia não depende apenas de capacidades técnicas individuais, mas também da habilidade das equipes de se coordenarem, se apoiarem mutuamente e responderem de forma articulada a ameaças compartilhadas.
“Conhecer as realidades enfrentadas pelos guardas-parques dos países amazônicos, reunir-nos e compartilhar experiências foi extremamente valioso”, afirmou Deyvis Huamán Mendoza, diretor de Gestão Territorial de Áreas Naturais Protegidas do SERNANP (Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado) do Peru. “Ouvir colegas que enfrentam desafios semelhantes nos permite reconhecer uns aos outros e fortalecer vínculos que esperamos que evoluam para uma comunidade regional de prática.”
O encontro também permitiu definir prioridades para uma possível próxima etapa do processo regional. Entre elas, fortalecer mecanismos permanentes de intercâmbio entre guardas-parques, aprimorar a coordenação operacional diante de ameaças que atravessam fronteiras e aprofundar a preparação para cenários cada vez mais frequentes, como incêndios de grande magnitude e eventos associados às mudanças climáticas.
“Os guardas-parques são fundamentais para a conservação e agradecemos o apoio que torna possível iniciativas como esta”, afirmou o Dr. Matthew Linkie, diretor técnico da WCS para a região Andes–Amazônia–Orinoquia. “Foi inspirador ver como se fortalecem os laços entre aqueles que trabalham diariamente na proteção da Amazônia.”
O encontro também evidenciou o protagonismo crescente de mulheres guardas-parques na Amazônia. “Para nós foi especialmente significativo ver mulheres guardas-parques de toda a Amazônia reunidas em um mesmo espaço”, afirmou a guarda-parque peruana Pamela Gutiérrez.
Sua colega Judith Pocomucha acrescentou: “Em um setor historicamente dominado por homens, este espaço nos permitiu nos reconhecer, compartilhar desafios comuns e fortalecer nossa confiança profissional. O fato de as mulheres terem sido maioria nesta capacitação envia uma mensagem clara de que a mudança é possível.”
Para os participantes, o intercâmbio regional não apenas trouxe ferramentas práticas em liderança, gestão de conflitos e comunicação, como também fortaleceu a confiança entre colegas de diferentes países que enfrentam desafios semelhantes, abrindo caminho para apoio mútuo além das fronteiras nacionais.
“Volto para a Guiana profundamente grato”, afirmou Octavius Hendricks, guarda-parque da Guiana. “Levo comigo aprendizados que aplicarei na área protegida que lidero e que compartilharei com minha equipe, porque o conhecimento precisa circular.”
O projeto Guardas-Parques do ASL envolve Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e tem como objetivo fortalecer capacidades em liderança, comunicação, gestão de conflitos e coordenação operacional entre guardas-parques que atuam em contextos complexos e de alta pressão na Amazônia. Por meio de um processo formativo regional, a iniciativa busca ampliar sua capacidade de responder de forma mais eficaz a ameaças crescentes e contribuir de maneira coordenada para a proteção da Amazônia.
Esta iniciativa integra o programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL, na sigla em inglês), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e liderado pelo Banco Mundial. No âmbito do ASL, a Wildlife Conservation Society (WCS) implementa este trabalho em parceria com autoridades nacionais, a Universidade para a Cooperação Internacional (UCI) e o Programa Guianas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).