O projeto nasceu a partir de diálogos diretos com líderes, organizações e comunidades indígenas da região do Içá, que priorizaram a demarcação e o reconhecimento oficial de seus territórios tradicionalmente ocupados. Hoje, essas terras enfrentam ameaças crescentes, especialmente com o avanço do garimpo ilegal, que põe em risco a vida, os direitos e o ambiente das comunidades. Além disso, o crescimento populacional e a pressão sobre os recursos naturais tornam urgente a consolidação da governança e do ordenamento territorial.
Para enfrentar esses desafios, o projeto atua em duas frentes principais. A primeira é o apoio técnico ao processo de demarcação de quatro territórios indígenas, em parceria com a Funai, viabilizando os estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais necessários para a regularização junto ao Ministério da Justiça. O atual governo federal (2023-2026) representa uma oportunidade estratégica para avançar nessas demandas, que já esperam há décadas.
A segunda frente é o fortalecimento da gestão ambiental e territorial a partir da construção participativa de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) para as terras indígenas, promovendo o protagonismo das comunidades na definição de seus planos de uso, proteção e governança. O projeto também prevê oficinas e formações sobre temas como gestão ambiental, organização social, consulta livre, prévia e informada (FPIC) e alternativas econômicas sustentáveis.
Como resultado, o projeto pretende estabelecer condições essenciais para a conservação da região: a formalização de compromissos e pactos territoriais, a construção de consensos internos sobre prioridades e estratégias, e o fortalecimento técnico e organizativo das comunidades para proteger suas terras e implementar sua visão de futuro.
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