
Nas águas da Amazônia vive um de seus peixes mais importantes: o tambaqui (Colossoma macropomum). Para muitas comunidades amazônicas, esse peixe representa alimento, cultura e uma fonte fundamental de sustento. O tambaqui também tem um papel fundamental para o ecossistema amazônico: por se alimentar principalmente de frutos e sementes, ele contribui para a dispersão de sementes entre as florestas inundáveis e os rios, ajudando a manter a dinâmica natural desses ecossistemas. O tambaqui é uma espécie emblemática da importância da conectividade, demonstrando como a vida na Amazônia depende da conexão entre a água, as florestas e as pessoas.
Durante décadas, a pesca intensiva provocou a redução dos estoques de tambaqui em algumas regiões da Amazônia. A captura excessiva e as mudanças nos ecossistemas aquáticos aumentaram a necessidade de fortalecer ações para garantir sua conservação.
No Brasil, essa situação levou à inclusão do tambaqui, em 2026, na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção, na categoria “Vulnerável”. Essa categoria serve como um sinal de alerta para que possam ser adotadas estratégias de manejo e garantir a conservação e a recuperação da espécie na natureza.
Esta classificação exige a elaboração de um Plano de Recuperação do Tambaqui. Esse plano buscará definir ações concretas para melhorar o estado de conservação da espécie no Brasil e garantir a pesca sustentável dessa espécie na natureza. A construção desse plano é um desafio que traz a oportunidade de evidenciar as diversas realidades amazônicas. A resposta para a conservação do tambaqui não passa apenas por restringir seu uso, mas por construir soluções que integrem ciência, conhecimentos locais e iniciativas locais de manejam com a participação das pessoas que dependem dessa espécie.
O Plano de Recuperação do Tambaqui está em construção pelo MMA, com a colaboração da WCS, pescadores e outros pesquisadores. Seu prazo de publicação é até o dia 25 de novembro de 2026.
Esse plano orientará os caminhos para a recuperação do tambaqui, como fortalecer a governança pesqueira em diferentes escalas, estabelecer sistemas de monitoramento de pesca, promover medidas de ordenamento e ampliar a colaboração entre pesquisadores, autoridades e comunidades pesqueiras - informa Guillermo Estupiñán, Especialista em Paisagens e Recursos Aquáticos da WCS Brasil.
O MMA emitiu uma nota informativa trazendo alguns esclarecimentos a dúvidas mais comuns de pescadores, pescadoras e consumidores deste pescado sobre o impacto da instrução normativa publicada nas rotinas de pesca. Destacamos aqui que a pesca do tambaqui não está proibida e que a pesca, transporte e declaração de estoques seguem as normas vigentes que determinam o início do seu defeso no dia 1 de outubro.
Conservar o tambaqui significa manter a saúde dos rios amazônicos, conservar as florestas inundáveis que dependem deles e reconhecer o papel das comunidades que convivem com esses ecossistemas há gerações.
A WCS trabalha para fortalecer o conhecimento e a colaboração para a conservação dos ecossistemas aquáticos amazônicos e das espécies que deles dependem.
Foto: Michael Golding