Mostra reúne obras produzidas ao longo de 28 anos do trabalho de Dulce Nascimento na Amazônia e reforça a importância da arte na valorização da biodiversidade regional
Visitantes apreciam ilustrações feitas por Dulce Nascimento a partir de suas observações Botânicas. Foto: Samuel Simões Neto
A exposição "Amazônia Revelada – 50 Expedições de Ilustração Botânica" reuniu, na noite desta segunda-feira (3), pesquisadores, artistas, estudantes e convidados no Palácio Rio Negro, em Manaus (AM), que recebeu a abertura da mostra em uma celebração do encontro entre arte, ciência e conservação da biodiversidade amazônica.
Com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Parque Nacional do Jaú e do Parque Nacional de Anavilhanas, além da WCS Brasil, a mostra apresenta ilustrações botânicas produzidas pela artista Dulce Nascimento ao longo de 28 anos de trabalho e vivências na Amazônia, em diferentes situações e contextos. As obras retratam a riqueza da flora amazônica com precisão científica e sensibilidade artística, revelando detalhes que muitas vezes passam despercebidos ao olhar cotidiano.
A exposição também representa um presente de Dulce Nascimento ao Parque Nacional do Jaú, reforçando a relação construída pela artista com a unidade de conservação ao longo de sua trajetória. A mostra, itinerante, já foi exibida no Parque Nacional do Jaú, em julho, e chegou agora a Manaus, tendo o Palácio Rio Negro como cenário de sua abertura na capital amazonense. Estão previstas ainda outras exibições na cidade.
Depois desse circuito, parte das obras passará a integrar o acervo do Parque Nacional do Jaú, contribuindo para fortalecer as ações de interpretação ambiental e valorização do patrimônio natural da unidade de conservação.
Na abertura do evento, a cantora Ellen Fernandes apresentou um repertório dedicado à cultura amazônica, interpretando clássicos como 'Amazonas, Meu Amor', de Chico da Silva, além de toadas dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, criando um ambiente que aproximou o público das diferentes expressões culturais da região.
Cantora Ellen Fernandes deu o tom de abertura ao evento, com clássicos da música amazonense. Foto: Samuel Simões Neto
Em seguida, uma roda de conversa reuniu Dulce Nascimento e a artista visual Hadna Abreu, que compartilhou sua trajetória na ilustração da biodiversidade amazônica, especialmente de fungos, grupo ao qual tem dedicado parte significativa de sua produção artística. Durante a conversa, Hadna relembrou que conheceu Dulce há alguns anos, quando participou de um curso ministrado pela ilustradora, experiência que influenciou sua forma de observar e representar a natureza.
Ao falar sobre sua trajetória, Dulce destacou que a ilustração botânica vai além do registro científico e representa também uma forma de fortalecer a relação das pessoas com a natureza. "A fotografia registra um instante. A ilustração botânica interpreta e sintetiza o conhecimento sobre uma espécie. Ela une ciência, arte e sensibilidade, despertando um olhar mais atento para a biodiversidade."
Dulce Nascimento e Hadna Abreu compartilham experiências na ilustração de plantas e fungos amazônicos. Foto: Samuel Simões Neto
A ilustradora também refletiu sobre as transformações que testemunhou ao longo de quase três décadas de trabalho e viagens pela Amazônia. "A Amazônia continua extraordinária em sua diversidade e capacidade de surpreender, mas também carrega marcas cada vez mais visíveis da ação humana. Cada viagem renova meu compromisso com a ciência, com a arte e com a conservação da floresta."
Ao ocupar o Palácio Rio Negro com imagens que revelam formas, cores e detalhes da flora amazônica, a exposição convidou o público a conhecer a biodiversidade da região sob uma nova perspectiva, aproximando conhecimento científico, expressão artística e sensibilização ambiental.
Confira aqui a entrevista completa concedida pela artista à WCS Brasil.