Atividade prática buscou capacitar condutores para receber turistas. Foto: Karen Groenich
Cerca de 40 moradores participaram, nos dias 11 e 12 de julho, de um treinamento em boas práticas para a condução de visitantes, realizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu. A atividade reuniu representantes do Lago do Tracajá, da Aldeia do Piranha, da Aldeia do Marinheiro, do Ramal do Mamori e das comunidades Nova Geração e São Sebastião do Igapó-Açu.
O treinamento teve como objetivo fortalecer as capacidades locais para receber, orientar e conduzir visitantes com segurança e hospitalidade, respeitando os modos de vida das comunidades e valorizando seus conhecimentos ambientais e culturais.
No turismo de base comunitária, o condutor exerce um papel central na ligação entre os visitantes, o território e as pessoas que vivem nele. Sua atuação não se limita ao acompanhamento dos passeios: envolve a recepção dos turistas, a organização das atividades, a divisão de responsabilidades e a apresentação dos aspectos naturais, históricos e culturais de cada localidade.
Atividade prática buscou capacitar condutores para receber turistas. Foto: Karen Groenich
A capacitação também estimulou as comunidades a reconhecerem as diferentes habilidades existentes entre os próprios moradores.
“São pequenos detalhes que podem fazer uma grande diferença. É importante escolher pessoas que conheçam o território, que tenham prática de canoagem e pilotagem e que possam contribuir com conhecimentos sobre a história e a cultura locais, porque tudo isso também faz parte do atrativo”, destaca Rosivan Moura, analista de conservação da WCS Brasil, que participou da formação.
Ao longo dos dois dias, os participantes abordaram temas como o papel do condutor comunitário, recepção e hospitalidade, orientações iniciais aos visitantes, ética, postura, boas práticas na natureza, interpretação socioambiental e segurança básica durante os passeios.
A programação combinou momentos de formação e experiências práticas, incluindo passeio pela comunidade, observação noturna da fauna, trilhas aquática e terrestre, passeio fluvial contemplativo, encerrando com uma apresentação cultural. Os participantes puderam exercitar a condução em situações semelhantes às que poderão encontrar durante a recepção de visitantes.
Grupo de carimbó do Igapó-Açú, durante apresentação no encerramento da atividade. Foto: Karen Groenich
“O grupo mostrou que está cada vez mais preparado para receber o turismo de natureza. Quem conduziu as trilhas fez uma interpretação muito rica. A ideia é que essas pessoas continuem se capacitando e melhorem cada vez mais essa oferta”, afirma Rosivan.
A formação integra um processo participativo que envolveu levantamentos dos atrativos (tanto na cheia como na seca) e das condições existentes nos territórios, além de oficinas para a construção e validação de propostas de TBC.
De acordo com Rodrigo Osório, responsável pela capacitação, os roteiros estão sendo ajustados para a elaboração de uma versão final do portfólio de produtos turísticos. A próxima fase também incluirá a definição dos roteiros com melhores condições de implementação, o aprofundamento da precificação e a organização das atividades, culminando em uma experiência-piloto com um grupo real de visitantes, para colocar em prática o que foi construído com as comunidades.
“É uma metodologia de aprender fazendo. Vamos finalizar o portfólio com os ajustes discutidos durante a validação e realizar o teste de um roteiro na RDS Igapó-Açu”, explica Rodrigo.
Para Rosivan Moura, o intuito é ampliar as possibilidades e qualificar as pessoas para que o turismo possa crescer como fonte de renda na comunidade.
"Hoje, essa renda ainda é muito pontual e concentrada na temporada de pesca esportiva. A ideia é que os roteiros funcionem na seca e na cheia, sem ficarem limitados a um único período”, conclui.
Dona Mocinha, da comunidade do Igapó-Açú, durante atividade. Foto: Karen Groenich