
Especialistas reunidos no auditório Marina Souza, no escritório da WCS. Foto: Divulgação
A WCS Brasil deu mais um passo para fortalecer o potencial do Parque Nacional do Jaú como destino de observação de aves ao reunir dois dos mais respeitados ornitólogos da Amazônia para discutir a implantação de uma torre de observação no interior da unidade de conservação.
O encontro aconteceu no dia 7 de julho, no auditório Marina Souza, na sede da WCS Brasil, e contou com a participação do diretor executivo da WCS Brasil, Marcos Amend, dos ornitólogos Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e Sérgio Borges, pesquisador e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), além de integrantes da equipe técnica da instituição envolvidos na implementação do projeto.
Também participaram, de forma virtual, o consultor em Turismo de Base Comunitária, Rodrigo Ozório; o morador da comunidade Cachoeira do PNJ, Eduardo Elisio de Souza, e Roberto da Silva Moreira, ex-morador, empreendedor na área de turismo; além de Lucas Ferrari, técnico ambiental do Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Novo Airão, responsável pelo uso público da unidade de conservação.
A iniciativa integra um projeto financiado pela Rainforest Trust (RFT) e busca ampliar as oportunidades para pesquisa científica, turismo de natureza, educação ambiental e valorização da biodiversidade amazônica.
O encontro teve como objetivo definir os critérios técnicos e o roteiro da expedição que será realizada para identificar o local mais adequado para a instalação da estrutura, levando em consideração aspectos como diversidade de espécies, representatividade dos diferentes ambientes naturais, acessibilidade, logística e potencial para atividades de pesquisa, observação de aves e uso público.

Durante a reunião, os especialistas discutiram uma visão estratégica de longo prazo para a observação de aves na Amazônia, destacando que o Parque Nacional do Jaú ocupa posição estratégica por proteger uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical do planeta e abrigar rica avifauna da Amazônia. Além da definição dos critérios científicos, a reunião também tratou do planejamento logístico da expedição de campo, incluindo deslocamentos, abertura de trilhas e o envolvimento de profissionais e moradores com amplo conhecimento da região, fatores considerados fundamentais para garantir que a futura torre seja instalada em um ponto de alto valor para a observação da fauna e para a visitação.
Para o diretor executivo da WCS Brasil, Marcos Amend, a iniciativa representa mais um passo para aproximar conservação e uso público qualificado das unidades de conservação. "Projetos como este demonstram que é possível aliar ciência, conservação e turismo de natureza de forma responsável. A torre de observação será uma ferramenta para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade do Jaú, estimular pesquisas, fortalecer o birdwatching e criar novas oportunidades de desenvolvimento para a região."
Segundo Sérgio Borges, que pesquisa a avifauna do Parque Nacional do Jaú desde a década de 1990, a definição do local precisa considerar tanto aspectos científicos quanto a experiência dos futuros visitantes. "O Jaú reúne uma diversidade extraordinária de ambientes e de espécies de aves. Escolher o local da torre significa encontrar um ponto que represente essa riqueza biológica, oferecendo excelentes oportunidades de observação sem comprometer a integridade do ambiente", explicou o pesquisador. A observação de aves é uma das modalidades de ecoturismo que mais cresce no mundo. O Parque Nacional do Jaú reúne centenas de espécies de aves, consolidando-se como um destino promissor da Amazônia para a prática do birdwatching.
Com apoio da Rainforest Trust, a futura torre deverá ampliar as possibilidades de monitoramento da biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental e visitação, reforçando o compromisso da WCS Brasil e de seus parceiros com a conservação da Amazônia e o uso público responsável das unidades de conservação.