
Integrantes da oficina de elaboração do PGTA da Terra Indígena Betânia (Foto: Divulgação)
As Terras Indígenas Matintin e Betânia, no rio Içá, AM, foram palco de um importante momento da gestão territorial indígena: a realização das oficinas de elaboração dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA). As atividades aconteceram na Aldeia Boa Vista (TI Matintin, de 24 a 26 de março) e na Aldeia Vila Betânia (TI Betânia, de 27 a 29 de março), reunindo lideranças, moradores, organizações locais e parceiros em um processo coletivo de reflexão e planejamento.
As oficinas tiveram como principal objetivo apresentar, discutir e validar o diagnóstico territorial construído junto às comunidades, além de dar início à etapa de planejamento participativo dos PGTAs. Os encontros representaram um momento estratégico de escuta, troca de saberes e fortalecimento do protagonismo indígena na definição dos rumos de seus territórios.
Participaram das atividades lideranças indígenas, homens, mulheres, jovens e anciãos das comunidades, além de organizações locais como o Instituto Ngutapa, a OGPTB e os Jovens Comunicadores da Betânia.
Durante as oficinas, os participantes se debruçaram sobre os dados do diagnóstico territorial, construído com a participação de pesquisadores indígenas, promovendo uma leitura coletiva e análise sobre a situação atual dos territórios. Foram discutidos desafios e potencialidades, em um processo marcado por falas abertas, assembleias, dinâmicas participativas e interação com materiais visuais como mapas e cartazes.
“Esse momento é muito importante para nós, porque estamos olhando para o nosso território com mais clareza e pensando juntos no futuro. Aqui, todas as vozes são ouvidas, dos mais velhos aos jovens, e isso fortalece nossas decisões sobre como cuidar da nossa terra e garantir o bem viver das próximas gerações”, destacou Elis Oliseu, liderança indígena da TI Betânia.

Integrantes da oficina de elaboração do PGTA da Terra Indígena Matintin (Foto: Divulgação)
Esse momento de validação foi essencial para garantir que as informações refletissem a realidade vivida pelas comunidades, reforçando a importância da escuta ativa e da construção coletiva do conhecimento. As contribuições de mulheres, jovens e anciãos trouxeram diferentes perspectivas sobre o território, enriquecendo o debate e ampliando o entendimento sobre suas dinâmicas sociais e ambientais.
A partir dessa base, as oficinas avançaram para o início do planejamento participativo, quando foram discutidas prioridades, temas estratégicos e caminhos para a construção dos PGTAs. Esse processo marca a transição de uma etapa de diagnóstico, de compreensão do território, para uma etapa de decisão: o que fazer com o território, pensando nas gerações presentes e futuras.
“As oficinas representam uma virada no processo do PGTA. É quando o diagnóstico construído coletivamente ganha vida nas decisões e prioridades definidas pelas próprias comunidades. Nosso papel é apoiar esse processo, garantindo que ele seja participativo, respeite os conhecimentos locais e fortaleça o protagonismo indígena na gestão territorial”, ressaltou Ana Luiza Melgaço, coordenadora do Programa de Povos e Territórios Indígenas da WCS Brasil e da elaboração dos PGTAs das duas TIs.
As atividades também destacaram a forte interação dos participantes com o espaço onde vivem, com registros do cotidiano das comunidades, do rio, dos caminhos e das estruturas locais, evidenciando a relação profunda entre território, cultura e modo de vida.
A realização das oficinas reafirma que a construção dos PGTAs é, acima de tudo, um processo coletivo e participativo, no qual as comunidades indígenas são protagonistas na definição de estratégias para a proteção, uso e gestão de seus territórios. Trata-se de um compromisso com o futuro, construído a partir do diálogo, da escuta e da valorização dos saberes indígenas.