De Campo Grande, Brasil, a proposta à CMS busca fortalecer a cooperação transfronteiriça na Amazônia, no Orinoco e no Pantanal

Ariranha (Foto: Omar Torrico @WCS)
CAMPO GRANDE, BRASIL, 24 de março de 2026 | A Wildlife Conservation Society (WCS) apoia a proposta de incluir a ariranha (Pteronura brasiliensis) nos Apêndices I e II da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), no âmbito da 15ª Conferência das Partes (CoP15), realizada em Campo Grande de 23 a 29 de março.
A ariranha é muito mais do que uma espécie emblemática: é um indicador vivo da saúde dos rios. Sua presença sinaliza ecossistemas aquáticos em bom estado; sua ausência, o contrário. Hoje, ocupa apenas 60% de sua distribuição histórica, após décadas de retração impulsionada pelo comércio ilegal de peles.
"Incluir a ariranha no Apêndice I e no Apêndice II da CMS enviará um sinal claro de que é necessária uma ação internacional urgente e coordenada para conservar essa espécie e os ecossistemas de água doce dos quais ela depende", disse Susan Lieberman, Vice-Presidente de Política Internacional da WCS. "O Apêndice I exige proteção estrita e proíbe sua captura, enquanto o Apêndice II ativa a colaboração transfronteiriça essencial para espécies que se deslocam por sistemas fluviais compartilhados."
Hoje, as populações mais importantes de ariranha concentram-se na Amazônia, no Orinoco e no Pantanal, bacias que atravessam dois ou mais países, e enfrentam pressões crescentes.
"Após décadas de grande retração de sua área de distribuição devido ao comércio ilegal de peles, as ariranhas estão agora em grande parte restritas a algumas populações-chave nos biomas da Amazônia, do Orinoco e do Pantanal, e muitas dessas áreas-chave são transfronteiriças entre dois ou mais países", afirmou Rob Wallace, conservacionista sênior da WCS Bolívia.
Acrescentou Wallace: "Agora, essas mesmas áreas-chave estão ameaçadas pela mineração ilegal de ouro, pela perda de habitat associada, pelos incêndios florestais, pelas mudanças climáticas e pela perturbação humana. Proteger essa espécie requer a proteção de sistemas fluviais inteiros, e isso só pode acontecer por meio de ação coordenada entre os países que compartilham essas águas."
A inclusão na CMS obrigaria os países de distribuição a implementar proteções mais robustas, monitorar populações e reportar o estado de conservação, construindo uma abordagem mais coordenada e transparente. Também reforçaria os esforços globais para garantir que qualquer uso de espécies migratórias seja legal, sustentável e seguro.
A CoP15 chega em um momento crítico, quando inúmeras espécies migratórias em todo o mundo continuam em declínio. Com esta proposta, a WCS e seus parceiros buscam não apenas assegurar o futuro de uma espécie de enorme importância ecológica, mas também avançar na conservação dos rios, áreas úmidas e florestas que sustentam a biodiversidade e as comunidades humanas da região.
A WCS atua na conservação ativa da ariranha e seus ecossistemas em toda a região dos Andes, Amazônia e Orinoco.
Wildlife Conservation Society (WCS)
A WCS combina a força de seus quatro zoológicos e um aquário na cidade de Nova York com um Programa Global de Conservação que opera em mais de 50 países, para cumprir sua missão de salvar a vida silvestre e os lugares naturais. A WCS lidera o maior programa de conservação de campo do mundo, contribuindo para a proteção de mais de 50% da biodiversidade conhecida do planeta, em parceria com governos, povos indígenas, comunidades locais e o setor privado.
Seu trabalho é organizado por meio de programas regionais, como o programa Andes, Amazônia e Orinoquía, que abrange Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru, de onde impulsiona iniciativas estratégicas e executa ações de conservação eficazes em paisagens prioritárias.