
Representantes da WCS Brasil, do Instituto Ngutapa, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santo Antônio do Içá, da ASSCOMAL e do Banco Mundial reunidos no escritório da WCS Brasil, em Manaus, durante encontro que marcou a assinatura de subprojetos na bacia do rio Içá.
No último dia 5 de março, representantes da WCS Brasil e de organizações parceiras realizaram a assinatura dos três subprojetos selecionados na convocatória pública do Projeto Manejo Integrado da Bacia Putumayo–Içá. As iniciativas serão implementadas na bacia do rio Içá, região considerada estratégica para a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia.
As propostas foram escolhidas após um processo de avaliação conduzido por um comitê regional e representam um avanço importante para a incorporação de projetos desenvolvidos no território brasileiro à iniciativa, que envolve também Colômbia, Equador e Peru.
De acordo com Roberto Gomez, diretor do Projeto Manejo Integrado da Bacia Putumayo–Içá, duas das propostas selecionadas estão relacionadas ao manejo pesqueiro e apresentam abordagens complementares sobre o tema.
“Uma delas foi apresentada pelo Instituto Ngütapa e está orientada ao manejo realizado por comunidades indígenas na bacia do rio Içá. A segunda foi apresentada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santo Antônio do Içá, em parceria com a Associação das Comunidades Manejadoras dos Lagos do Rio Içá (ASSCOMAL). As duas iniciativas trazem perspectivas diferentes sobre o uso dos recursos pesqueiros na bacia”, explica.
Segundo Gomez, a inclusão de projetos brasileiros representa um passo importante para fortalecer a visão de gestão integrada do território.
“Até então, não havíamos conseguido vincular propostas da parte mais baixa da bacia do rio Putumayo — conhecido no Brasil como rio Içá. Trata-se de uma região absolutamente estratégica, já que tudo o que acontece nas partes mais altas da bacia tem impacto direto nessa área. Isso reforça a necessidade de pensar a bacia como um todo, para além das fronteiras entre os países”, destaca.
Um dos subprojetos será implementado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santo Antônio do Içá (SEMA/SAI), em parceria com a Associação das Comunidades Manejadoras dos Lagos do Rio Içá (ASSCOMAL). A iniciativa busca fortalecer o manejo comunitário da pesca, incluindo ações como a implementação de um plano de gerenciamento e a instalação de uma casa de vigilância para apoiar as comunidades que manejam pirarucu da região.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente de Santo Antônio do Içá, Neuton Garcia, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a organização comunitária e ampliar a consciência sobre a importância da conservação dos recursos pesqueiros.
“Esse modelo vai servir como uma grande referência para as pessoas que vivem nessas áreas da bacia, principalmente na preservação dos peixes e dos lagos. Muitas vezes falta essa visão de longo prazo. Se pensarmos daqui a dez ou vinte anos, talvez não tenhamos mais a mesma quantidade de peixe que temos hoje. Então esse projeto vem justamente para fortalecer essa consciência e incentivar as comunidades a trabalharem de forma mais organizada”, afirma.
Na região, o manejo comunitário do pirarucu já é desenvolvido desde 2012. Segundo Pedro Gonçalves Lopes, presidente da ASSCOMAL, a iniciativa tem contribuído para fortalecer a organização das comunidades e gerar renda para as famílias ribeirinhas.
“A gente vem trabalhando com manejo há mais de dez anos, e esse trabalho tem ajudado tanto na organização das comunidades quanto na geração de renda. Com esse novo projeto, vamos ter mais apoio técnico e mais força para melhorar a produção, acessar novos mercados e fortalecer a economia das comunidades do rio Içá”, explica.
O terceiro subprojeto será executado também pelo Instituto Ngütapa e tem como foco a valorização do conhecimento tradicional das populações que vivem na bacia do rio Içá. De acordo com Sinésio Trovão, presidente de honra do instituto, a iniciativa busca fortalecer práticas culturais e conhecimentos que fazem parte da relação histórica das comunidades com o território.
“A proposta é incentivar os jovens, trabalhar a escrita e produzir materiais que registrem o conhecimento tradicional das próprias comunidades. Também vamos apoiar iniciativas como o artesanato, a educação nas escolas e o fortalecimento do ecoturismo na região”, afirma.
O projeto também prevê ações relacionadas ao manejo de espécies importantes para a região, como pirarucu, tambaqui e surubim, além do fortalecimento do trabalho realizado pelos chamados “Guardiões do Peixe”.
As atividades serão desenvolvidas ao longo de 12 meses nas regiões do Alto, Médio e Baixo Içá, envolvendo comunidades indígenas e ribeirinhas. A expectativa é que as iniciativas contribuam para fortalecer a conservação da biodiversidade, a segurança alimentar e os meios de subsistência das populações locais, além de reforçar a cooperação entre os países que compartilham a bacia Putumayo–Içá.
O Projeto GEF Manejo Integrado da Bacia do Rio Putumayo-Içá é uma iniciativa voltada para promover a gestão integrada dos recursos naturais na bacia transfronteiriça compartilhada por Brasil, Colômbia, Equador e Peru. O Banco Mundial atua como agência do Fundo Global para o Meio Ambientel (GEF) responsável pela supervisão do projeto, enquanto a execução regional é conduzida pela Wildlife Conservation Society (WCS). No Brasil, a iniciativa é liderada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM).