Publicado originalmente no Cuenca Putumayo Içá

Representantes de organizações indígenas e da secretaria de Meio Ambiente do Amazonas estiveram presentes no evento, que ocorreu em Puerto Asís, Putumayo. (Foto: Divulgação)
Representantes da Colômbia, Equador, Peru e Brasil se reuniram em um workshop para co-projetar uma estratégia de gestão do conhecimento para a bacia do Putumayo-Içá, integrando conhecimento científico e ancestral e fortalecendo a governança territorial.
Durante dois dias, representantes governamentais, comunidades indígenas e locais, instituições de pesquisa e organizações não governamentais dos quatro países participaram de um workshop para co-projetar uma Estratégia de Gestão do Conhecimento para a bacia do Putumayo-Içá.
O encontro teve como objetivo definir o escopo, os componentes e as condições facilitadoras para uma estratégia transfronteiriça que contribua para a tomada de decisões informadas, por meio da preservação do conhecimento ancestral, da produção científica e do fortalecimento da governança territorial.
Uma estratégia como processo sustentável
Os participantes concordaram que a gestão do conhecimento deve ser concebida como um processo permanente — e não como um produto limitado à duração de um projeto — operando em diferentes escalas: local, municipal, departamental/estadual, nacional e transfronteiriça.
Também foi destacada a necessidade de identificar e legitimar os papéis dos diferentes atores — instituições governamentais, povos indígenas, comunidades afrodescendentes e ribeirinhas, academia, organizações não governamentais e setor privado — para evitar a duplicação de funções e fortalecer a articulação regional.
Da mesma forma, ressaltou-se que a sustentabilidade é fundamental para garantir a continuidade da estratégia, incluindo mecanismos de financiamento, capacitação e custódia de dados.
Integrar conhecimento científico e ancestral
Um dos consensos centrais foi a importância de integrar o conhecimento científico aos saberes tradicionais e ancestrais, garantindo sua proteção e respeitando a soberania dos dados e a propriedade intelectual dos povos indígenas.
“Nos reunimos entre quatro países irmãos para dialogar sobre as necessidades que temos na bacia hidrográfica em relação à proteção do conhecimento ancestral, para que ele não se perca, e também para revisar as informações científicas que podem nos ajudar a tomar melhores decisões”, destacou Diego Jamanoy, líder quillacinga do departamento de Putumayo, na Colômbia.
O grupo também aprofundou a distinção entre informação e conhecimento, enfatizando que o desafio não é apenas coletar dados, mas transformá-los em ferramentas úteis para a tomada de decisões e para a governança territorial.
Para Silbeni Ramos, da comunidade Tikuna e representante do Instituto Ngutapa, do Amazonas, o encontro foi muito importante para compartilhar experiências com líderes e organizações dos quatro países da bacia, permitindo que se conheçam melhor e enfrentem juntos os desafios presentes nos territórios, a partir de conhecimentos compartilhados e regionais.
Sob uma abordagem integral das paisagens — que reconhece a relação entre cultura, sociedade e natureza —, foi destacado que a educação ambiental e a educomunicação devem ser eixos transversais da gestão do conhecimento.
Esse processo representa um passo significativo para a elaboração de uma Estratégia e Plano de Ações de Gestão do Conhecimento na bacia do Putumayo-Içá. A iniciativa busca fortalecer uma governança mais articulada, inclusiva e sustentável, ampliando a cooperação entre os quatro países e reconhecendo o valor estratégico do conhecimento para o presente e o futuro da bacia compartilhada.
“Estamos certos de que, após este encontro, estaremos mais informados e com conhecimentos que nos permitirão cuidar melhor da floresta e do rio que os povos indígenas compartilhamos entre os quatro países”, afirmou Eber Mashucuri, da ECA Bajo Putumayo, no Peru.