Os quelônios amazônicos são répteis facilmente reconhecidos por seu casco — formado pela carapaça e o plastrão — e desempenham papel essencial nos ecossistemas aquáticos e terrestres da região. Entre as espécies prioritárias, destaca-se a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), a maior do gênero, podendo atingir até 90 cm e 65 kg. Espécie-chave para a dinâmica dos rios, contribui para a dispersão de sementes e a ciclagem de nutrientes, conectando ambientes florestais e aquáticos.
Apesar de sua importância ecológica e cultural, os quelônios da Amazônia enfrentam forte pressão histórica e atual, especialmente devido ao consumo de carne e ovos e ao tráfico ilegal. No caso da tartaruga-da-amazônia, essa exploração ocorre há séculos e já levou a níveis críticos de retirada — com registros históricos de milhões de ovos coletados anualmente. Hoje, somam-se a essas ameaças os impactos das mudanças climáticas, alterações nos ciclos hidrológicos e a degradação de habitats.
A WCS Brasil atua na conservação desse grupo com foco na família Podocnemididae — que inclui espécies como tracajá, iaçá, irapuca e cabeçudo — promovendo o manejo sustentável, o fortalecimento da governança comunitária e o combate ao tráfico. As estratégias incluem o monitoramento de praias de desova, o apoio a acordos de uso tradicional, a geração de conhecimento científico e o engajamento de comunidades locais na proteção das espécies.
Ao integrar conservação e uso sustentável, a atuação busca garantir a sobrevivência de longo prazo da tartaruga-da-amazônia e de outros quelônios, assegurando também a manutenção de práticas culturais e da segurança alimentar de populações amazônicas.