<rss version="2.0" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:trackback="http://madskills.com/public/xml/rss/module/trackback/">
    <channel>
        <title>WCS Brasil</title> 
        <link>https://brasil.wcs.org</link> 
        <description>RSS feeds for WCS Brasil</description> 
        <ttl>60</ttl> <item>
    <comments>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25992/Geleiras-florestas-e-rios-a-grande-rede-que-define-nossa-identidade-e-nosso-futuro.aspx#Comments</comments> 
    <slash:comments>0</slash:comments> 
    <wfw:commentRss>https://brasil.wcs.org/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/RssComments.aspx?TabID=25623&amp;ModuleID=57555&amp;ArticleID=25992</wfw:commentRss> 
    <trackback:ping>https://brasil.wcs.org:443/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/Tracking/Trackback.aspx?ArticleID=25992&amp;PortalID=93&amp;TabID=25623</trackback:ping> 
    <title>Geleiras, florestas e rios: a grande rede que define nossa identidade e nosso futuro</title> 
    <link>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25992/Geleiras-florestas-e-rios-a-grande-rede-que-define-nossa-identidade-e-nosso-futuro.aspx</link> 
    <description>Publicado originalmente em Wildlife Conservation Society



Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, Brasil. (Foto: Marcos Amend)

&amp;nbsp;

Em meados de mar&#231;o, o calend&#225;rio ambiental re&#250;ne tr&#234;s datas comemorativas: o Dia Mundial das Geleiras (21), o Dia Internacional das Florestas (21) e o Dia Mundial da &#193;gua (22). Embora pare&#231;am datas distintas, na realidade essas tem&#225;ticas falam de uma hist&#243;ria de interconex&#227;o entre as geleiras, as florestas e a &#225;gua como um &#250;nicosistema vivo. Na regi&#227;o andino-amaz&#244;nica, essa conex&#227;o que sustenta a vida, tanto silvestre quanto humana, &#233; hoje mais fr&#225;gil do que nunca, diante de uma s&#233;rie de amea&#231;as que convidamos voc&#234; a conhecer a seguir.

Os Andes: onde nasce a &#225;gua da floresta 

A mais de 4.000 metros de altitude, as geleiras tropicais funcionaram durante mil&#234;nios como os grandes reguladores h&#237;dricos do continente. Seu papel &#233; vital: guardam a &#225;gua das chuvas na forma de gelo e a liberam aos poucos nas &#233;pocas de seca. Isso garante a estabilidade das vaz&#245;es que alimentam as cabeceiras da maior rede h&#237;drica do planeta: a Bacia Amaz&#244;nica.

No entanto, esse equil&#237;brio est&#225; se perdendo. Os Andes abrigam o sistema de geleiras tropicais mais extenso do mundo, mas tamb&#233;m um dos mais vulner&#225;veis. Segundo dados do Servi&#231;o Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) e da UNESCO (2025), essas geleiras se reduzem 35% mais r&#225;pido do que a m&#233;dia global. Em pa&#237;sescomo Bol&#237;via, Peru, Equador e Col&#244;mbia, mais de 50% do gelo glacial foi perdido nas &#250;ltimas seis d&#233;cadas, de acordo com dados do Painel Intergovernamental sobre Mudan&#231;as Clim&#225;ticas (IPCC) e do Instituto Nacional de Pesquisa em Geleiras e Ecossistemas de Montanha (INAIGEM) do Peru.

Esse recuo marca a chegada do pico h&#237;drico: o limiar de m&#225;xima descarga de &#225;gua ap&#243;s o qual a contribui&#231;&#227;o glacial come&#231;a a declinar de forma irrevers&#237;vel. Uma vez superado esse ponto, a capacidade do gelo de amortecer as secas desaparece, deixando os rios e as popula&#231;&#245;es em situa&#231;&#227;o de vulnerabilidade h&#237;drica permanente. Isso n&#227;oapenas altera paisagens ic&#244;nicas, como tamb&#233;m coloca em risco a seguran&#231;a h&#237;drica de grandes cidades como Bogot&#225;, Quito, Lima e La Paz, e compromete a sobreviv&#234;ncia de ecossistemas &#250;nicos como os p&#225;ramos e a puna.

Segundo o Atlas de Geleiras e &#193;guas Andinas da UNESCO, o que est&#225; em jogo &#233; o abastecimento de &#225;gua para mais de 75 milh&#245;es de pessoas. Mas a amea&#231;a vai al&#233;m da torneira das grandes cidades: falamos da seguran&#231;a alimentar de comunidades que dependem da pesca, do equil&#237;brio clim&#225;tico que sustenta o campo e da sobreviv&#234;ncia de culturas ind&#237;genas cuja identidade est&#225; entrela&#231;ada entre a montanha, o rio e a floresta. Se esse sistema colapsar, perdemos o principal escudo natural que temos frente &#224;s mudan&#231;as clim&#225;ticas.

A floresta: motor do ciclo da &#225;gua 

Quando a &#225;gua termina sua descida pelos Andes e entra na plan&#237;cie amaz&#244;nica, o ciclo se transforma. Aqui, a floresta n&#227;o apenas recebe a &#225;gua, ela a recircula ativamente para a atmosfera. Por meio da evapotranspira&#231;&#227;o, as &#225;rvores bombeiam umidade em quantidades colossais. Esse fen&#244;meno, identificado pela ci&#234;ncia como &amp;#39;rios voadores&amp;#39;, consiste em fluxos massivos de vapor d&amp;#39;&#225;gua que se deslocam por milhares de quil&#244;metros. Essas correntes, al&#233;m de recarregar de umidade a Amaz&#244;nia e os Andes, tamb&#233;m geram as chuvas essenciais para a agricultura e o consumo humano em todo o continente.

Pesquisas lideradas pelo cientista Eneas Salati, respaldadas por especialistas como Carlos Nobre, estabeleceram que a Amaz&#244;nia produz cerca de 50% de sua pr&#243;pria chuva. Esse processo de reciclagem de precipita&#231;&#227;o permite que a floresta mantenha o ciclo da &#225;gua ativo e que essa umidade sustente a maior biodiversidade de &#225;gua docedo planeta: mais de 3.000 esp&#233;cies de peixes, segundo o Instituto Smithsoniano e a Amazon Conservation, das quais dependem a alimenta&#231;&#227;o e a cultura de milhares de comunidades ribeirinhas e ind&#237;genas e de milh&#245;es de pessoas em toda a Bacia Amaz&#244;nica.

A &#225;gua: fluxo vital que articula a rede natural 

A fragmenta&#231;&#227;o dos rios por barragens, a contamina&#231;&#227;o, especialmente por merc&#250;rio, e a sobreexplora&#231;&#227;o de seus recursos est&#227;o alterando a din&#226;mica natural das &#225;guas amaz&#244;nicas. Como resultado, os sistemas h&#237;dricos perdem funcionalidade, afetando diretamente as comunidades que deles dependem e que come&#231;am a sofrer as consequ&#234;ncias de sua degrada&#231;&#227;o.

A essas press&#245;es soma-se a perda acelerada de florestas. Segundo o Global Forest Watch (WRI) e o Projeto MAAP, a Amaz&#244;nia perde cobertura florestal a um ritmo de 2 hectares por minuto. Com menos &#225;rvores, diminui a capacidade do solo de reter &#225;gua, o que intensifica eventos extremos como inunda&#231;&#245;es mais severas e secas maisprolongadas e intensas.

A&#231;&#245;es integrais a partir do territ&#243;rio: a contribui&#231;&#227;o da WCS na regi&#227;o Andes, Amaz&#244;nia, Orinoqu&#237;a 

Na WCS, desenvolvemos e implementamos estrat&#233;gias de conserva&#231;&#227;o para que respondam &#224; complexidade de cada paisagem sob uma premissa central: a conectividade. Entendemos os rios como sistemas din&#226;micos dos quais a vida depende, desde os sedimentos que fertilizam as plan&#237;cies at&#233; as migra&#231;&#245;es de peixes que garantem a seguran&#231;a alimentar regional. Por isso, na regi&#227;o Andes-Amaz&#244;nia-Orinoqu&#237;a, nosso trabalho se desenvolve com uma vis&#227;o integral, dos p&#225;ramos &#224;s plan&#237;cies inund&#225;veis, promovendo que as decis&#245;es sobre a &#225;gua n&#227;o ignorem o que acontece na outra extremidade da bacia.

Por exemplo, na Col&#244;mbia e no Equador, impulsionamos a prote&#231;&#227;o de ecossistemas-chave como os p&#225;ramos alto-andinos que se conectam com as florestas &#250;midas de terras baixas na Amaz&#244;nia. No Peru e na Bol&#237;via, fortalecemos a gest&#227;o de territ&#243;rios ind&#237;genas e &#225;reas protegidas para que grandes art&#233;rias como os rios Napo, Ucayali ouMamor&#233; conservem sua integridade. No Brasil, lideramos esfor&#231;os para consolidar o manejo comunit&#225;rio da pesca e a conserva&#231;&#227;o das florestas inund&#225;veis (v&#225;rzeas).

Esses esfor&#231;os se potencializam com abordagens transfronteiri&#231;as, como na bacia do Putumayo-I&#231;&#225;, onde trabalhamos pela conserva&#231;&#227;o e gest&#227;o integrada dos recursos naturais e fontes de &#225;gua doce desse corredor biol&#243;gico e cultural vital, que n&#227;o conhece fronteiras e une Col&#244;mbia, Equador, Peru e Brasil.

Da mesma forma, por meio da iniciativa &#193;guas Amaz&#244;nicas, consolidamos redes de monitoramento participativo e gest&#227;o sustent&#225;vel que combinam o conhecimento local e a evid&#234;ncia cient&#237;fica para manter a integridade e a conectividade dos ecossistemas aqu&#225;ticos da Bacia Amaz&#244;nica.

No &#226;mbito dessas comemora&#231;&#245;es, o chamado &#233; para compreender o sistema em seu conjunto: o que ocorre nas geleiras dos Andes influencia o futuro da Amaz&#244;nia, e a sa&#250;de das florestas determina a disponibilidade de &#225;gua nas cidades e comunidades. Mais do que datas isoladas, trata-se de um convite a reconhecer a interdepend&#234;ncia entre geleira, floresta e rio como parte de um mesmo sistema.

&amp;nbsp;

Wildlife Conservation Society (WCS) 

A WCS combina a for&#231;a de seus quatro zool&#243;gicos e um aqu&#225;rio na cidade de Nova York com um Programa Global de Conserva&#231;&#227;o que opera em mais de 50 pa&#237;ses, para cumprir sua miss&#227;o de salvar a vida silvestre e os lugares naturais. A WCS lidera o maior programa de conserva&#231;&#227;o de campo do mundo, contribuindo para a prote&#231;&#227;o de mais de 50% da biodiversidade conhecida do planeta, em parceria com governos, povos ind&#237;genas, comunidades locais e o setor privado.

Seu trabalho &#233; organizado por meio de programas regionais, como o programa Andes, Amaz&#244;nia e Orinoqu&#237;a, que abrange Bol&#237;via, Brasil, Col&#244;mbia, Equador e Peru, de onde impulsiona iniciativas estrat&#233;gicas e executa a&#231;&#245;es de conserva&#231;&#227;o eficazes em paisagens priorit&#225;rias.
</description> 
    <dc:creator>Simoes, Samuel</dc:creator> 
    <pubDate>Fri, 20 Mar 2026 18:34:00 GMT</pubDate> 
    <guid isPermaLink="false">f1397696-738c-4295-afcd-943feb885714:25992</guid> 
    
</item>
<item>
    <comments>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25947/Carta-Apelo-urgente-para-priorizar-a-biodiversidade-no-proximo-Instrumento-Europa-Global-GEI.aspx#Comments</comments> 
    <slash:comments>0</slash:comments> 
    <wfw:commentRss>https://brasil.wcs.org/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/RssComments.aspx?TabID=25623&amp;ModuleID=57555&amp;ArticleID=25947</wfw:commentRss> 
    <trackback:ping>https://brasil.wcs.org:443/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/Tracking/Trackback.aspx?ArticleID=25947&amp;PortalID=93&amp;TabID=25623</trackback:ping> 
    <title>Carta: Apelo urgente para priorizar a biodiversidade no pr&#243;ximo Instrumento Europa Global (GEI)</title> 
    <link>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25947/Carta-Apelo-urgente-para-priorizar-a-biodiversidade-no-proximo-Instrumento-Europa-Global-GEI.aspx</link> 
    <description>&amp;nbsp;

Prezada Embaixadora Christina Rafti,

Escrevemos em nome de algumas das principais organiza&#231;&#245;es mundiais de conserva&#231;&#227;o, meio ambiente, sa&#250;de e bem-estar animal e desenvolvimento, bem como de institui&#231;&#245;es de pesquisa e cient&#237;ficas, grupos de jovens, funda&#231;&#245;es, empresas, associa&#231;&#245;es de meios de subsist&#234;ncia e autoridades locais, para inst&#225;-la a priorizar a biodiversidade no pr&#243;ximo&amp;nbsp;Instrumento Europa Global&amp;nbsp;(anteriormente Instrumento de Vizinhan&#231;a, Desenvolvimento e Coopera&#231;&#227;o Internacional &amp;ndash; Europa Global&amp;nbsp;&amp;ndash; NDICI-GE).

Ecossistemas saud&#225;veis e &#237;ntegros &amp;mdash; e a vida silvestre que eles sustentam &amp;mdash; sustentam a resili&#234;ncia ambiental, social e econ&#244;mica. Eles s&#227;o essenciais para a adapta&#231;&#227;o e mitiga&#231;&#227;o das mudan&#231;as clim&#225;ticas, a seguran&#231;a alimentar e h&#237;drica, a sa&#250;de p&#250;blica e o saneamento&amp;sup1;, o desenvolvimento econ&#244;mico, a gera&#231;&#227;o de empregos e meios de vida sustent&#225;veis, bem como para a paz duradoura e a seguran&#231;a humana&amp;sup2;. A perda de biodiversidade, particularmente em regi&#245;es vulner&#225;veis, alimenta conflitos, deslocamentos e press&#245;es migrat&#243;rias, minando a estabilidade&amp;sup3;.

O&amp;nbsp;Relat&#243;rio de Riscos Globais 2026, do F&#243;rum Econ&#244;mico Mundial, &#233; inequ&#237;voco: eventos clim&#225;ticos extremos, perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, e mudan&#231;as cr&#237;ticas nos sistemas da Terra representam os tr&#234;s riscos globais mais graves para a economia na pr&#243;xima d&#233;cada &amp;mdash; superando amea&#231;as como desinforma&#231;&#227;o e informa&#231;&#245;es falsas, resultados adversos de tecnologias de intelig&#234;ncia artificial, desigualdade, inseguran&#231;a cibern&#233;tica e polariza&#231;&#227;o social⁴.

Saudamos o compromisso assumido em 2021 pela Presidente von der Leyen de dobrar o financiamento internacional da Uni&#227;o Europeia para a biodiversidade, alcan&#231;ando&amp;nbsp;7 bilh&#245;es de euros at&#233; 2027. Esse compromisso enviou um importante sinal pol&#237;tico. No entanto, ele permanece insuficiente para enfrentar a escala da crise da biodiversidade e, no atual quadro or&#231;ament&#225;rio da UE para 2021&amp;ndash;2027, &#233; improv&#225;vel que o compromisso da UE de destinar&amp;nbsp;10% dos gastos anuais &#224; biodiversidade at&#233; 2026&amp;ndash;2027&amp;nbsp;seja alcan&#231;ado⁵.

Nesse contexto, estamos profundamente preocupados com a proposta de estabelecer uma &#250;nica meta de&amp;nbsp;30% de gastos para &amp;ldquo;Meio Ambiente e Clima&amp;rdquo;&amp;nbsp;no Instrumento Europa Global, sem priorizar explicitamente a biodiversidade. Embora a defini&#231;&#227;o de uma meta seja bem-vinda, ela &#233; insuficientemente ambiciosa e corre o risco de diluir as a&#231;&#245;es urgentemente necess&#225;rias para deter e reverter a perda de biodiversidade e a degrada&#231;&#227;o dos ecossistemas.

Os objetivos clim&#225;ticos e ambientais n&#227;o podem ser alcan&#231;ados sem financiamento dedicado e mensur&#225;vel para a conserva&#231;&#227;o da biodiversidade e a prote&#231;&#227;o e restaura&#231;&#227;o dos ecossistemas. Al&#233;m disso, um ambiente saud&#225;vel &#233; pr&#233;-requisito para alcan&#231;ar os objetivos do&amp;nbsp;Global Gateway, especialmente o desenvolvimento econ&#244;mico sustent&#225;vel e resiliente e a transi&#231;&#227;o verde.

Priorizar explicitamente a biodiversidade no InstrumentoEuropa Global n&#227;o apenas fortaleceria a efic&#225;cia da a&#231;&#227;o externa da Uni&#227;o Europeia, como tamb&#233;m estaria plenamente alinhado e contribuiria para implementar os compromissos e obriga&#231;&#245;es internacionais da UE e de seus Estados-Membros, por meio da&amp;nbsp;Conven&#231;&#227;o sobre Diversidade Biol&#243;gica&amp;nbsp;e de seu&amp;nbsp;Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal⁶, bem como de outros Acordos Ambientais Multilaterais relevantes.

Diante disso, instamos firmemente que:


 
 a meta de gastos com clima e meio ambiente do GEI seja elevada para&amp;nbsp;pelo menos 50%, com&amp;nbsp;no m&#237;nimo 15% dedicados &#224; biodiversidade;
 
 
 a biodiversidade seja&amp;nbsp;sistematicamente integrada em todos os setores relevantes, incluindo coopera&#231;&#227;o internacional, parcerias, com&#233;rcio e pol&#237;ticas de investimento;
 
 
 os objetivos de biodiversidade sejam&amp;nbsp;incorporados ao Global Gateway; e
 
 
 se avance al&#233;m de uma abordagem de&amp;nbsp;&amp;ldquo;n&#227;o causar danos&amp;rdquo;, passando a promover investimentos proativos em resili&#234;ncia dos ecossistemas e desenvolvimento positivo para a natureza.
 


Em um mundo cada vez mais vol&#225;til e fragmentado, a Uni&#227;o Europeia deve liderar com clareza e ambi&#231;&#227;o. A seguran&#231;a socioecon&#244;mica e a competitividade de longo prazo da Europa dependem, em &#250;ltima inst&#226;ncia, de um ambiente saud&#225;vel &amp;mdash; tanto dentro da Uni&#227;o quanto al&#233;m de suas fronteiras. Contamos com sua lideran&#231;a para reconhecer a gravidade desses riscos e agir de forma decisiva.

Teremos satisfa&#231;&#227;o em fornecer informa&#231;&#245;es adicionais e ficar&#237;amos honrados em nos reunir com a senhora para discutir essas quest&#245;es com maior profundidade.

Atenciosamente,


&amp;nbsp;


 
 IPBES.&amp;nbsp;Thematic Assessment Report on the Interlinkages among Biodiversity, Water, Food and Health.
 
 
 A National Security Assessment: Global Biodiversity Loss, Ecosystem Collapse and National Security.
 
 
 Uni&#227;o Europeia.&amp;nbsp;Study on the Interaction Between Security and Wildlife Conservation in Sub-Saharan Africa.
 
 
 World Economic Forum.&amp;nbsp;Global Risks Report 2026.
 
 
 Uni&#227;o Europeia.&amp;nbsp;EU Budget: Performance and Reporting.
 
 
 Conven&#231;&#227;o sobre Diversidade Biol&#243;gica.&amp;nbsp;Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework.
 


&amp;nbsp;

Acesse a carta original (em ingl&#234;s) com as organiza&#231;&#245;es signat&#225;rias&amp;nbsp;neste link.

&amp;nbsp;

&amp;nbsp;
</description> 
    <dc:creator>Simoes, Samuel</dc:creator> 
    <pubDate>Mon, 02 Mar 2026 13:49:00 GMT</pubDate> 
    <guid isPermaLink="false">f1397696-738c-4295-afcd-943feb885714:25947</guid> 
    
</item>
<item>
    <comments>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25932/Relato-de-Campo-inauguracao-do-Museu-Tchirugune-e-reuniao-com-liderancas-do-Alto-Ica.aspx#Comments</comments> 
    <slash:comments>0</slash:comments> 
    <wfw:commentRss>https://brasil.wcs.org/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/RssComments.aspx?TabID=25623&amp;ModuleID=57555&amp;ArticleID=25932</wfw:commentRss> 
    <trackback:ping>https://brasil.wcs.org:443/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/Tracking/Trackback.aspx?ArticleID=25932&amp;PortalID=93&amp;TabID=25623</trackback:ping> 
    <title>Relato de Campo: inaugura&#231;&#227;o do Museu Tchirug&#252;ne e reuni&#227;o com lideran&#231;as do Alto I&#231;&#225;</title> 
    <link>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25932/Relato-de-Campo-inauguracao-do-Museu-Tchirugune-e-reuniao-com-liderancas-do-Alto-Ica.aspx</link> 
    <description>&amp;nbsp;

Por Francivane Fernandes, da WCS Brasil

&amp;nbsp;

No dia 24 de janeiro de 2026, estive na aldeia Vila Bet&#226;nia&amp;nbsp;Mec&#252;rane, na Terra Ind&#237;gena Bet&#226;nia, em Santo Ant&#244;nio do I&#231;&#225; (AM), para acompanhar dois momentos importantes no territ&#243;rio: a inaugura&#231;&#227;o do Museu Ind&#237;gena&amp;nbsp;Tchirug&#252;ne&amp;nbsp;e uma reuni&#227;o com lideran&#231;as ind&#237;genas do Alto Rio I&#231;&#225; para dialogar sobre organiza&#231;&#227;o comunit&#225;ria e defesa territorial.&amp;nbsp;



Lideran&#231;as ind&#237;genas do Alto Rio I&#231;&#225;. (Foto: Francivane Fernandes @WCS)

A inaugura&#231;&#227;o do museu foi um marco para o povo Tikuna. A iniciativa, articulada pelo Instituto&amp;nbsp;Ngutapa&amp;nbsp;com apoio de parceiros como a WCS Brasil, materializa um sonho coletivo. O nome&amp;nbsp;Tchirug&#252;ne&amp;nbsp;significa &amp;ldquo;pouso das andorinhas&amp;rdquo;, como explicou Sin&#233;sio Trov&#227;o, presidente do Instituto &amp;mdash; uma imagem simb&#243;lica para um espa&#231;o que nasce como abrigo da mem&#243;ria e dos saberes.&amp;nbsp;



Dan&#231;a tradicional&amp;nbsp;Taimataima. (Foto: Francivane Fernandes @WCS)

A cerim&#244;nia reuniu cerca de 530 pessoas e foi marcada por dan&#231;as, cantos ancestrais, jogos tradicionais e partilha de comidas e bebidas t&#237;picas. Mais do que uma celebra&#231;&#227;o, foi um gesto de reafirma&#231;&#227;o cultural. O museu se consolida como um centro vivo de transmiss&#227;o de conhecimentos, identidade e tradi&#231;&#245;es, concebido e liderado pelo pr&#243;prio povo Tikuna.&amp;nbsp;

Estar ali representando a WCS Brasil foi uma experi&#234;ncia potente. No territ&#243;rio, fica evidente como cultura e conserva&#231;&#227;o caminham juntas. Quando a hist&#243;ria e os saberes de um povo s&#227;o valorizados e visibilizados, fortalecem-se tamb&#233;m a conex&#227;o com a terra, a autonomia e a defesa do territ&#243;rio ancestral.&amp;nbsp;



Bebida tradicional&amp;nbsp;Pajuaru&amp;nbsp;(macaxeira fermentada). (Foto: Francivane Fernandes @WCS)&amp;nbsp;

No mesmo contexto da visita, me reuni com lideran&#231;as ind&#237;genas Kokama, Tikuna e&amp;nbsp;Kambeba&amp;nbsp;do Alto Rio I&#231;&#225;, em uma conversa pautada pela escuta ativa e pelo di&#225;logo franco. Falamos sobre desafios e estrat&#233;gias para fortalecer a organiza&#231;&#227;o comunit&#225;ria na regi&#227;o.&amp;nbsp;

A parceria da WCS com as comunidades do Alto I&#231;&#225; j&#225; est&#225; em curso. Temos apoiado a defesa do territ&#243;rio, buscando garantir seguran&#231;a fundi&#225;ria e articulando a coopera&#231;&#227;o com a Funai para viabilizar os estudos de identifica&#231;&#227;o e delimita&#231;&#227;o &amp;mdash; etapa que est&#225; em andamento. Tamb&#233;m est&#225; previsto o apoio &#224; prote&#231;&#227;o territorial por meio de monitoramento e vigil&#226;ncia, al&#233;m de a&#231;&#245;es voltadas ao ordenamento da pesca na regi&#227;o, envolvendo ind&#237;genas e n&#227;o ind&#237;genas.&amp;nbsp;



Fortalecendo a parceria entre a WCS e as lideran&#231;as Tikunas, Sin&#233;sio Trov&#227;o Tikuna l, Diretor do Museu&amp;nbsp;Tchirug&#252;ne&amp;nbsp;e Elis&amp;nbsp;Olisio&amp;nbsp;Tikuna, diretor-presidente do Instituto&amp;nbsp;Ngutapa. (Foto: Francivane Fernandes @WCS)&amp;nbsp;

No campo da organiza&#231;&#227;o social, o fortalecimento passa por processos de forma&#231;&#227;o e articula&#231;&#227;o. Representantes ind&#237;genas t&#234;m participado de cursos sobre direitos ind&#237;genas e PNGATI, al&#233;m de espa&#231;os estrat&#233;gicos como a COP da Biodiversidade e o ATL, ampliando sua inser&#231;&#227;o no movimento ind&#237;gena e nos debates nacionais. O pr&#243;ximo passo nesse processo &#233; apoiar a formaliza&#231;&#227;o de uma organiza&#231;&#227;o pr&#243;pria que represente os povos do Alto Rio I&#231;&#225;.&amp;nbsp;

Sair de Bet&#226;nia depois desse encontro deixou uma certeza: quando os povos ind&#237;genas lideram seus processos &amp;mdash; culturais, pol&#237;ticos e territoriais &amp;mdash; o territ&#243;rio se fortalece como um todo. E nosso papel &#233; seguir apoiando, com respeito e compromisso, cada passo dessa caminhada.&amp;nbsp;



Participantes da reuni&#227;o com as lideran&#231;as ind&#237;genas do alto Rio I&#231;&#225;, sobre a cria&#231;&#227;o de uma Associa&#231;&#227;o Comunit&#225;ria do Alto Rio I&#231;&#225;. (Foto: Arquivo Francivane Fernandes)

&amp;nbsp;

&amp;nbsp;
</description> 
    <dc:creator></dc:creator> 
    <pubDate>Tue, 03 Feb 2026 14:37:00 GMT</pubDate> 
    <guid isPermaLink="false">f1397696-738c-4295-afcd-943feb885714:25932</guid> 
    
</item>
<item>
    <comments>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25929/Ciencia-intercultural-dialogo-entre-ciencia-indigena-e-ciencia-ocidental-na-construcao-do-bem-viver.aspx#Comments</comments> 
    <slash:comments>0</slash:comments> 
    <wfw:commentRss>https://brasil.wcs.org/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/RssComments.aspx?TabID=25623&amp;ModuleID=57555&amp;ArticleID=25929</wfw:commentRss> 
    <trackback:ping>https://brasil.wcs.org:443/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/Tracking/Trackback.aspx?ArticleID=25929&amp;PortalID=93&amp;TabID=25623</trackback:ping> 
    <title>Ci&#234;ncia intercultural: di&#225;logo entre ci&#234;ncia ind&#237;gena e ci&#234;ncia ocidental na constru&#231;&#227;o do bem viver</title> 
    <link>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25929/Ciencia-intercultural-dialogo-entre-ciencia-indigena-e-ciencia-ocidental-na-construcao-do-bem-viver.aspx</link> 
    <description>&amp;nbsp;

Por Andr&#233; Baniwa1&amp;nbsp;e Ana Luiza Melga&#231;o2

&amp;nbsp;

Desde que o homem Yalanaw3&amp;nbsp;pensou em dominar o mundo, pensou tamb&#233;m em inferiorizar outros povos nativos como parte de seu projeto de domina&#231;&#227;o. Nessa perspectiva, os sistemas de conhecimento dos povos ind&#237;genas foram sistematicamente inferiorizados e invisibilizados.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

No Brasil, o chamado&amp;nbsp;&amp;#39;descobrimento&amp;#39;&amp;nbsp;significou viol&#234;ncia contra os sistemas de conhecimentos ind&#237;genas e suas tecnologias, por meio de demoniza&#231;&#227;o de conhecimentos, imposi&#231;&#227;o de modelos externos e ruptura das tecnologias tradicionais de cuidado. Promovendo uma hierarquia de conhecimento, como estrat&#233;gia de coloniza&#231;&#227;o, de colonialidade e neocolonialismo para domina&#231;&#227;o dos territ&#243;rios ind&#237;genas, base de vida e de seus conhecimentos.&amp;nbsp;

Durante s&#233;culos, o conhecimento ind&#237;gena foi rotulado como &amp;#39;saber tradicional&amp;#39; ou &amp;#39;conhecimento popular&amp;#39;, enquanto o conhecimento ocidental recebeu o&amp;nbsp;status&amp;nbsp;de ci&#234;ncia. Essa distin&#231;&#227;o n&#227;o &#233; neutra: &#233; o reflexo de um processo hist&#243;rico de coloniza&#231;&#227;o epistemol&#243;gica, que deslegitimou modos de pensar e conhecer que n&#227;o se enquadravam no modelo europeu de racionalidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Nacionaliza&#231;&#245;es de territ&#243;rios ind&#237;genas em todo mundo foi uma forma definitiva de inferioriza&#231;&#227;o. Povos foram expropriados, l&#237;nguas e suas tecnologias foram interrompidas. No Brasil foram 488 anos sem direito ind&#237;gena, colocaram em d&#250;vida se os povos ind&#237;genas tinham alma para justificar as matan&#231;as, dizima&#231;&#227;o dos povos ind&#237;genas, suas l&#237;nguas, al&#233;m de seus conhecimentos, ambos fundamentais para o manejo de conhecimentos e sua transmiss&#227;o de gera&#231;&#227;o a gera&#231;&#227;o, al&#233;m de cuidado e prote&#231;&#227;o de seus territ&#243;rios herdados de &#209;apirikoli4&amp;nbsp;que chamava a humanidade de Walimanai.&amp;nbsp;

Em apenas menos de quatro d&#233;cadas de direito ind&#237;gena na Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica do Brasil de 5 de outubro de 1988, que possibilitou aos povos ind&#237;genas a retomada de suas pr&#243;prias ci&#234;ncias, foi ent&#227;o que os povos ind&#237;genas voltaram a se organizar originariamente e formalmente em defesa de seus direitos, reconquistar parte de seus territ&#243;rios via direito origin&#225;rio sobre suas terras, fortalecendo sua organiza&#231;&#227;o social, suas l&#237;nguas, costumes e conhecimentos origin&#225;rios, isto &#233; suas culturas, seus sistemas de vida, seus conhecimentos pr&#225;ticos.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Al&#233;m da Constitui&#231;&#227;o de 1988, mais recentemente, o avan&#231;o da crescente presen&#231;a ind&#237;gena nas universidades e institutos de pesquisa, os povos est&#227;o acessando a forma&#231;&#227;o acad&#234;mica nas universidades, gradua&#231;&#227;o, mestrado, doutorado e p&#243;s-doutorado.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com isso, abriu-se um novo ciclo: o de retomada e afirma&#231;&#227;o das ci&#234;ncias ind&#237;genas como sistemas leg&#237;timos, aut&#244;nomos e necess&#225;rios &#224; reconstru&#231;&#227;o do bem viver. Todos esses sistemas de consolidar e/ou reconstruir o bem viver dos povos ind&#237;genas s&#227;o fundamentais para projetar a contribui&#231;&#227;o e lideran&#231;a desses povos frente a reconstru&#231;&#227;o do bem viver da humanidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Mesmo assim, a ci&#234;ncia ocidental ou tamb&#233;m chamada ci&#234;ncia moderna, segue na perspectiva de denominar os conhecimentos ind&#237;genas em &amp;ldquo;saberes&amp;rdquo;. Qual ser&#225; a dificuldade de reconhecer os sistemas de conhecimentos ind&#237;genas, como Ci&#234;ncia Ind&#237;gena, em rela&#231;&#227;o a Ci&#234;ncia, Tecnologia e Inova&#231;&#227;o. Sim, sabemos que em muitos casos &#233; uma tentativa de reconhecimento, mas ainda n&#227;o passa de continuidade de coloniza&#231;&#227;o, demonstra que n&#227;o se sabe como se livrar desta pr&#225;tica, ou seja, as ci&#234;ncias dominantes que s&#227;o feitas em cima de conhecimentos que ela inferioriza se verificou dependente com essa pr&#225;tica, ela precisa inferiorizar para existir. Esse gesto impede o di&#225;logo sim&#233;trico e perpetua a colonialidade do pensamento e das tomadas de decis&#227;o.&amp;nbsp;

Em contrapartida, as ci&#234;ncias ind&#237;genas, os conhecimentos ind&#237;genas, as tecnologias de cuidado dos povos ind&#237;genas n&#227;o precisam diminuir outros sistemas para existir. Elas reconhecem a pluralidade do conhecimento e partem do princ&#237;pio de que todas as formas de saber podem coexistir, desde que orientadas para o cuidado e a continuidade da vida. Essa &#233; a base da ci&#234;ncia intercultural: um espa&#231;o de encontro entre epistemologias diferentes, sem hierarquias.&amp;nbsp;

Esse debate ainda &#233; necess&#225;rio, visto que as agendas na COP30, cartas de comunidades cient&#237;ficas e tecnol&#243;gicas, demandas e negocia&#231;&#245;es em jogo, ainda se posicionam de forma a ter como narrativa a import&#226;ncia do reconhecimento dos conhecimentos ind&#237;genas, os tratando como &amp;ldquo;saberes tradicionais&amp;rdquo;, ignorando sua natureza cient&#237;fica e tecnol&#243;gica. Reproduzindo e demonstrando a incapacidade estrutural de reconhecer as ci&#234;ncias ind&#237;genas, seus sistemas de conhecimentos pr&#243;prios e suas tecnologias, interrompidas pela coloniza&#231;&#227;o, mas hoje em regenera&#231;&#227;o.&amp;nbsp;

Cada povo ind&#237;gena possui sistemas pr&#243;prios de conhecimento, organizados em fam&#237;lias lingu&#237;sticas e troncos lingu&#237;sticos s&#227;o suas organiza&#231;&#245;es sociais origin&#225;rias, diversas, demonstra riqueza e complexidade de ci&#234;ncias pr&#243;prias muito importante para o manejo do mundo e conserva&#231;&#227;o da biodiversidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Nesse contexto, &#225;reas como etnobiologia, etnoecologia, antropologia e outras, atrav&#233;s de cientistas n&#227;o-ind&#237;genas t&#234;m demonstrado a import&#226;ncia dos conhecimentos ind&#237;genas e dialogado com esses conhecimentos, juntamente com cientistas ind&#237;genas acad&#234;micos, possibilitando esse reconhecimento da diversidade epistemol&#243;gica. Entretanto, a maioria dessas pr&#225;ticas ainda requer valida&#231;&#227;o pela ci&#234;ncia ocidental, o que mant&#233;m o desequil&#237;brio simb&#243;lico: os povos ind&#237;genas continuam sendo &amp;ldquo;fontes de dados&amp;rdquo;, e n&#227;o autores de ci&#234;ncia.&amp;nbsp;

O desafio atual n&#227;o &#233; &amp;ldquo;integrar&amp;rdquo; o conhecimento ind&#237;gena &#224; ci&#234;ncia ocidental, mas construir um di&#225;logo sim&#233;trico entre ci&#234;ncias. Isso exige o reconhecimento pol&#237;tico e institucional das ci&#234;ncias ind&#237;genas como epistemologias aut&#244;nomas, e n&#227;o como fontes de &amp;ldquo;dados tradicionais&amp;rdquo;. Reconhecer como cientista ind&#237;gena, n&#227;o apenas os que chegam na academia, mas os que produzem, manejam e transmitem sistemas completos de conhecimento, nos centros dos territ&#243;rios, na floresta, nos rios e nos sonhos. &#201; aceitar e tratar de fato o conhecimento ind&#237;gena como ci&#234;ncia.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Reconhecer que as ci&#234;ncias ind&#237;genas e a ci&#234;ncia ocidental s&#227;o igualmente ci&#234;ncias &#233; romper com a hierarquia constru&#237;da pela colonialidade do saber. Ambas produzem conhecimento sistem&#225;tico, emp&#237;rico e coerente, mas partem de fundamentos distintos. Para enfrentar desafios globais como as mudan&#231;as clim&#225;ticas, a perda de biodiversidade e a crise &#233;tica da civiliza&#231;&#227;o moderna, &#233; necess&#225;rio esse reconhecimento.&amp;nbsp;

O caminho aqui proposto &#233; o da parceria entre ci&#234;ncias, onde o conhecimento cient&#237;fico ocidental deixa de ser filtro e passa a ser um dos interlocutores dentro de um di&#225;logo mais amplo sobre como cuidar da Terra e da humanidade. A reconstru&#231;&#227;o do bem viver exige cora&#231;&#245;es e mentes abertas ao di&#225;logo verdadeiro, capazes de reconhecer que ningu&#233;m det&#233;m o monop&#243;lio da ci&#234;ncia, e que o conhecimento &#233; m&#250;ltiplo, relacional e t&#227;o diverso quanto a pr&#243;pria Terra.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

Essa mudan&#231;a n&#227;o deve ser entendida como concess&#227;o, mas como necessidade. Para a humanidade superar as crises ambientais e &#233;ticas, os compromissos assumidos na COP30 e a a&#231;&#227;o global devem acontecer com base na ci&#234;ncia intercultural, onde cada forma de conhecer colabora para compreender, proteger e regenerar o mundo.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

&amp;nbsp;

1 -&amp;nbsp;Pesquisador do bem viver e das medicinas ind&#237;genas, Assessor da SESAI, Conselheiro da WCS Brasil.&amp;nbsp;&amp;nbsp;

2 -&amp;nbsp;Mestre em Conserva&#231;&#227;o da Biodiversidade&amp;nbsp;e&amp;nbsp;Coordenadora do Programa de Povos e Territ&#243;rios Ind&#237;genas da WCS Brasil.&amp;nbsp;

3 -&amp;nbsp;Yalanawi&amp;nbsp;na l&#237;ngua&amp;nbsp;baniwa&amp;nbsp;significa n&#227;o ind&#237;gena, &amp;ldquo;pessoa branca&amp;rdquo;.&amp;nbsp;

4 -&amp;nbsp;Na cosmologia Baniwa, &#209;apirikoli e os seus dois irm&#227;os (Dzooli e Eeri), que formam a fam&#237;lia ancestral, s&#227;o heroicos criadores da humanidade.
</description> 
    <dc:creator></dc:creator> 
    <pubDate>Sat, 08 Nov 2025 14:32:00 GMT</pubDate> 
    <guid isPermaLink="false">f1397696-738c-4295-afcd-943feb885714:25929</guid> 
    <enclosure url="https://brasil.wcs.org:443/Portals/93/__MACOSX/Screenshot%202024-10-21%20at%2010.35.19 AM.png" length="1438652" type="image/png" />
</item>
<item>
    <comments>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25969/WCS-e-a-COP30-da-UNFCCC.aspx#Comments</comments> 
    <slash:comments>0</slash:comments> 
    <wfw:commentRss>https://brasil.wcs.org/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/RssComments.aspx?TabID=25623&amp;ModuleID=57555&amp;ArticleID=25969</wfw:commentRss> 
    <trackback:ping>https://brasil.wcs.org:443/DesktopModules/DnnForge%20-%20NewsArticles/Tracking/Trackback.aspx?ArticleID=25969&amp;PortalID=93&amp;TabID=25623</trackback:ping> 
    <title>WCS e a COP30 da UNFCCC</title> 
    <link>https://brasil.wcs.org/pt-br/Fique-por-dentro/Artigos-e-Opinião/ID/25969/WCS-e-a-COP30-da-UNFCCC.aspx</link> 
    <description>&amp;nbsp;

A COP30 precisa eliminar a baixa ambi&#231;&#227;o em mitiga&#231;&#227;o e financiamento, avan&#231;ar em uma transi&#231;&#227;o justa e na adapta&#231;&#227;o clim&#225;tica, reconhecer o papel de lideran&#231;a dos Povos Ind&#237;genas e comunidades locais e consolidar compromissos para eliminar gradualmente o uso de combust&#237;veis f&#243;sseis e o desmatamento.

A WCS, organiza&#231;&#227;o dedicada &#224; conserva&#231;&#227;o de esp&#233;cies, restaura&#231;&#227;o da integridade ecol&#243;gica e promo&#231;&#227;o de solu&#231;&#245;es naturais para o clima, considera a COP da Amaz&#244;nia um momento crucial para reconhecer a natureza, a integridade ecol&#243;gica e a lideran&#231;a ind&#237;gena como partes essenciais da agenda clim&#225;tica.

&amp;nbsp;

Integridade ecol&#243;gica nos resultados negociados

&amp;nbsp;

Integridade ecol&#243;gica como elo entre clima e natureza: Diversas negocia&#231;&#245;es recentes destacaram a necessidade de maior coer&#234;ncia entre as tr&#234;s Conven&#231;&#245;es do Rio. A COP30 deve transformar palavras em a&#231;&#227;o. As Partes devem elevar o item 15 da agenda do SBSTA 63 &amp;mdash; &amp;ldquo;Coopera&#231;&#227;o com organiza&#231;&#245;es internacionais&amp;rdquo; &amp;mdash; a uma decis&#227;o plena da COP/CMA que estabele&#231;a um Grupo Ad Hoc de Especialistas T&#233;cnicos (AHTEG), encarregado de recomendar formas de alinhar melhor a UNFCCC com a CDB e a UNCCD. O grupo tamb&#233;m deve propor arranjos institucionais, como um programa conjunto de trabalho e a revitaliza&#231;&#227;o do Grupo de Liga&#231;&#227;o Conjunto. Essa coopera&#231;&#227;o deve se basear na integridade ecol&#243;gica &amp;mdash; princ&#237;pio fundamental do Acordo de Paris &amp;mdash; como objetivo unificador para a conserva&#231;&#227;o da biodiversidade e a a&#231;&#227;o clim&#225;tica voltada &#224; natureza.

Integridade ecol&#243;gica como m&#233;trica de adapta&#231;&#227;o: A COP30 deve concluir o programa de trabalho Emirados &#193;rabes&amp;ndash;Bel&#233;m sobre indicadores da Meta Global de Adapta&#231;&#227;o (GGA), adotando um conjunto robusto e abrangente de indicadores para uso pelos governos nacionais. Para a Meta 9.d &amp;mdash; reduzir os impactos clim&#225;ticos sobre ecossistemas e biodiversidade &amp;mdash; os indicadores devem refletir o papel essencial da integridade ecol&#243;gica e a rela&#231;&#227;o entre sua perda e o risco de colapso dos ecossistemas. Indicadores atualmente propostos focam apenas na extens&#227;o dos ecossistemas e n&#227;o em sua condi&#231;&#227;o ou integridade. Caso n&#227;o haja consenso, o tema deve ser inclu&#237;do em decis&#227;o futura.

Combate ao desmatamento e &#224; degrada&#231;&#227;o florestal: A COP30 deve estabelecer um processo claro e com prazos definidos para implementar a decis&#227;o da COP28 sobre o Balan&#231;o Global, que pede esfor&#231;os refor&#231;ados para deter e reverter o desmatamento e a degrada&#231;&#227;o florestal at&#233; 2030. Os pa&#237;ses devem elaborar um plano conjunto com avalia&#231;&#227;o global de progresso e lacunas, prazos, metas e marcos intermedi&#225;rios, salvaguardas sociais e recomenda&#231;&#245;es a serem adotadas nas pr&#243;ximas COPs.

&amp;nbsp;

Lideran&#231;a nacional em a&#231;&#227;o clim&#225;tica

&amp;nbsp;

Natureza como estrat&#233;gia de mitiga&#231;&#227;o: A COP30 ser&#225; um momento-chave para avaliar a ambi&#231;&#227;o das novas Contribui&#231;&#245;es Nacionalmente Determinadas (NDCs 3.0). A WCS continua defendendo a conserva&#231;&#227;o como elemento central da mitiga&#231;&#227;o, colaborando com parceiros para integrar a prote&#231;&#227;o dos ecossistemas &#224;s metas clim&#225;ticas nacionais. A COP30 deve dar destaque a medidas concretas que ampliem e fortale&#231;am a conserva&#231;&#227;o dentro das NDCs. As Partes devem incluir o reconhecimento e a demarca&#231;&#227;o dos Territ&#243;rios Ind&#237;genas e Tradicionais (TITs) como pol&#237;tica de mitiga&#231;&#227;o clim&#225;tica, reconhecendo seu papel essencial na conserva&#231;&#227;o da biodiversidade e na regula&#231;&#227;o do clima global. A WCS recomenda, por exemplo, o reconhecimento da NDC Ind&#237;gena do Brasil e a demarca&#231;&#227;o das 270 terras ind&#237;genas atualmente em processo de regulariza&#231;&#227;o, al&#233;m daquelas ainda n&#227;o iniciadas.

Fortalecendo a resili&#234;ncia da natureza e das pessoas: Al&#233;m da mitiga&#231;&#227;o, os pa&#237;ses precisam adaptar suas estrat&#233;gias de conserva&#231;&#227;o &#224;s novas realidades clim&#225;ticas, conectando a prote&#231;&#227;o da biodiversidade &#224; adapta&#231;&#227;o. Isso requer investimento e aten&#231;&#227;o &#224; agenda de adapta&#231;&#227;o do Acordo de Paris, bem como a identifica&#231;&#227;o de oportunidades pr&#225;ticas de sinergia em n&#237;veis nacional e local. Um exemplo inspirador &#233; o compromisso intergovernamental de proteger recifes de corais resilientes ao clima &amp;mdash; iniciativa que a WCS incentiva os pa&#237;ses a aderirem, promovendo resili&#234;ncia para comunidades costeiras.

&amp;nbsp;

Financiamento clim&#225;tico inovador para a natureza

&amp;nbsp;

Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF): Desenvolvido pelo Brasil com outras na&#231;&#245;es de florestas tropicais, o Banco Mundial, a WCS e parceiros, o TFFF pode se tornar o maior mecanismo de financiamento j&#225; criado para florestas tropicais. Garantir sua capitaliza&#231;&#227;o e rigor t&#233;cnico antes da COP30 ser&#225; fundamental &amp;mdash; a WCS conclama os governos a colaborar com o Brasil para assegurar o sucesso de longo prazo do TFFF.

Lideran&#231;a Ind&#237;gena e Justi&#231;a Clim&#225;tica: A WCS apoia as demandas dos Povos Ind&#237;genas para a COP30 e reconhece o valor do conhecimento e da lideran&#231;a ind&#237;gena como fundamentais para a a&#231;&#227;o clim&#225;tica. &#201; necess&#225;rio ampliar o financiamento direto a povos e organiza&#231;&#245;es ind&#237;genas, fortalecendo a governan&#231;a e a gest&#227;o territorial, al&#233;m de garantir que suas estrat&#233;gias de mitiga&#231;&#227;o e adapta&#231;&#227;o sejam incorporadas &#224;s pol&#237;ticas nacionais e internacionais. A participa&#231;&#227;o ativa dos Povos Ind&#237;genas e comunidades tradicionais nas decis&#245;es &#233; essencial para construir solu&#231;&#245;es clim&#225;ticas justas, eficazes e baseadas em direitos.

&amp;nbsp;
</description> 
    <dc:creator>Simoes, Samuel</dc:creator> 
    <pubDate>Fri, 07 Nov 2025 05:43:00 GMT</pubDate> 
    <guid isPermaLink="false">f1397696-738c-4295-afcd-943feb885714:25969</guid> 
    
</item>

    </channel>
</rss>